Nascimento de uma cidade

Criando uma vila, cidade ou povoado.
Por: Anderson Salafia.
Dando seqüência a série de artigos que visam lhe auxiliar na hora de criar seu próprio cenário de RPG, vamos agora falar um pouco sobre como criar vilarejos, cidades ou qualquer tipo de povoado. O que iremos lhe apresentar se baseia nas teorias de um Geógrafo Francês, Vidal de La Blache, que vivenciou a fase 'Clássica' da Geografia, baseada em teorias naturalistas as quais viriam a ser abandonadas ao final da Segunda Guerra Mundial. Elaborada em fins do século XIX, após a Guerra Franco-Prussiana, o que nos interessa nela é o fato de que considera que toda uma cultura será influenciada pela natureza ou seja, seu modo de vida estará relacionado ao que o meio ambiente lhe prover. Chamada de "Gênero de Vida", esta teoria se aplica perfeitamente aos cenários de baixo nível tecnológico ou de fantasia.
Para aqueles observadores (Mestres de jogo) mais experientes, e que já se depararam com o desafio de criar um cenário, criar uma vila ou duas até é tarefa fácil, mas e quando este numero se amplia? Como assegurar que uma vila não acabe sendo uma mera 'copia' com algumas diferenças das demais?
Um mundo novo:
O primeiro passo antes iniciarmos a criação de vilas e povoados é pensarmos a geografia do nosso cenário: o tipo de relevo, vegetação, clima, flora e fauna e ainda, as relações políticas entre os povos. Como já citamos, o "Gênero de vida" é influenciado pela natureza, o que equivale a dizer que o povoado ou vila que estaremos criando deverá se adaptar ao local onde estará instalada, vivendo de forma harmoniosa, obtendo o máximo que pode dos recursos naturais de que dispõe, e superando as limitações existentes.
Adotando este principio, veremos que facilmente criaremos distintas sociedades, autenticas e originais.
Um exemplo prático:
Vamos agora criar um vilarejo para exemplificar o que expomos neste artigo: Vamos supor uma comunidade vivendo em uma área de montanha, onde temos rigorosos invernos (com nevascas violentas) densa floresta e dificuldades em se praticar a agricultura. Esta comunidade está em uma área de intensas disputas territoriais, por isso habitam um local que dificulte o acesso. Também temos alguns animais de grande porte, tais como ursos (ou similares) que servem de alimento, resultando em uma comunidade de caçadores.
Devido aos meses de rigoroso inverno e grande acumulo de neve as residências são construídas próximas umas ás outras com telhados pontiagudos (para não acumular neve) e as anelas não pequenas. Como a madeira está disponível em grandes quantidades, as casas são fabricadas com madeira e pedras (para dar maior resistência). Lareiras e um deposito para alimentos são essenciais. Por causa tanto dos animais (que podem invadir a vila atrás de restos de alimentos) quanto de ataques de ladrões ou mesmo invasores os homens adultos formam uma milícia local, fato facilitado pelo fato de serem uma comunidade de caçadores (são ótimos arqueiros e dominam bem o uso da lança); ao redor da aldeia há uma pequena cerca, com estacas além de armadilhas para afugentar invasores e, próximo a estrada alguns sentinelas se revezam.
Seus habitantes são extremamente solidários entre si, repudiam os estrangeiros, e vivem da caça e comércio de peles.
Ampliando as possibilidades:
Como vimos no exemplo acima (que bem poderia ser o de uma vila medieval) basta pensar o local onde implantaremos nosso vilarejo para, com base nestas informações criarmos uma sociedade completa, e é claro, de acordo com o cenário que estamos criando adicionar soluções e atitudes adequadas, como por exemplo o uso de magia, mitos e lendas, etc.
Adicione ao exemplo acima citado a presença de ruínas misteriosas próximas, a lenda de um antigo feiticeiro e imagine como a magia influenciaria esta pequena comunidade de caçadores fiéis seguidores de seu culto...
...ou tente imaginar como seria uma vila situada em uma ilha vulcânica, que dependa do oceano para sobreviver, cercada por bestas marinhas?
Para saber mais sobre os Mitos, consulte:
"Vidal de La Blache e a Geografia Humana" in "Geografia: pequena história critica", Editora Hucitec, São Paulo, 1995 (Pág. 61 - 72)
Escrito por Veritas às 08h32
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